Do humanismo realista ao brutalismo da imediatez contemporânea
Notas sobre a contemporaneidade de Rubem Fonseca
Keywords:
Literatura brasileira, Rubem Fonseca, Achille Mbembe, literatura e política, totalitarismo e literatura, Brazilian literature, immediacy, literature and politics, totalitarianismAbstract
Este ensaio explora a contemporaneidade da obra de Rubem Fonseca, refletindo sobre o papel mediador e político da ficção. Partindo da recepção inicial de Fonseca como “brutalismo” ou “realismo feroz” (Bosi, Cândido), proponho ler a noção de brutalismo de forma anacrônica, no sentido definido por Achille Mbembe para descrever nossa era atual, em que a humanidade se torna matéria quantificável e a violência dos campos de batalha permeia a vida civil. Na obra de Fonseca, o ódio aparece dentro de uma moldura ficcional, buscando evitar doutrinar o leitor e expondo um estado de coisas à espera de escrutínio crítico. No entanto, essa perspectiva crítica era possível graças à mediação da literatura: o pacto que garante que o leitor saiba estar diante de uma construção ficcional. Hoje, o ódio escapa do domínio protegido da ficção e entra no mundo real (digital).
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