Milagre pelo avesso
Uma leitura de “Feliz ano novo” a partir das funções da linguagem
Keywords:
Rubem Fonseca, violência, linguagem, ética, política, violence, language, ethics, politicsAbstract
O objetivo deste artigo é apresentar uma leitura de Feliz ano novo de Rubem Fonseca, a partir de uma perspectiva que toma a violência—não só temática, mas da linguagem—como um fim em si mesma, ou seja, do modo pelo qual, no conto, exacerba, a violência torna-se uma espécie de função da linguagem, pensada aqui nos moldes propostos por Roman Jakobson, um dominante que está centrado na mensagem em si, analogamente ao que ocorre com a poesia. É tão aguda e, por vezes, absurda que poder-se-ia pensar que o princípio de equivalência nesse caso dá-se quando toda metáfora da violência é também metonímia dela mesma. A contribuição para a extensa fortuna crítica do autor é não tanto por uma leitura que se soma a várias outras do mesmo conto, mas por levantar uma possibilidade para o estudo da violência como algo que, extrapolando limites suportáveis, opera livremente na e pela linguagem.
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