Rubem Fonseca, poeta
Resíduos e símbolos
Keywords:
poesia, Rubem Fonseca, metalinguagem, resíduo, Walter Benjamin, conto, poetry, metalinguistics, residue, short storyAbstract
Este ensaio examina a presença da poesia na ficção de Rubem Fonseca, argumentando que ela opera como um dispositivo crítico e metalinguístico. Com foco nos poemas explícitos de livros como Amálgama e Carne crua, e nos versos inseridos em contos como “Olhar” e “Os inocentes”, a análise identifica o tema persistente da putrefação e do resíduo orgânico como central para a cosmovisão do autor. O estudo investiga como a poesia, contrastada com a prosa, prioriza a experiência sensível em detrimento do entendimento racional, recorrendo às teorias de Walter Benjamin sobre mimese e experiência (Erfahrung). Ao explorar textos metalinguísticos como “Escrever” e “Sentir e entender”, demonstra-se que o gesto poético de Fonseca busca reconectar-se com uma camada arcaica e simbólica da linguagem—um “pacto com o diabo” que simultaneamente une e separa. Por fim, a poesia em Fonseca não é mero resíduo de sua prosa...
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