Deus-dará e As doenças do Brasil ou quando o desconforto na memória coletiva não pode ser bestseller
DOI:
https://doi.org/10.21471/jls.v9i1.585Keywords:
Alexandra Lucas Coelho, Valter Hugo Mãe, legado da herança colonial do Brasil, sujeito implicado, silenciamento, receção disciplinadoraAbstract
O presente artigo analisa a receção a Deus-dará, de Alexandra Lucas Coelho, e a As doenças do Brasil, de Valter Hugo Mãe, à luz do conceito “sujeito implicado” de Michael Rothberg. Ao expor os laços genealógicos que unem Portugal e o Brasil no tempo longo da história colonial portuguesa, Deus-dará constrói um olhar implicado sobre as narrativas de memória coletiva. Argumenta-se que, ao contrário da receção académica, a receção não-académica portuguesa reverbera o desconforto coletivo perante a necessidade de nos reconhecermos enquanto sujeitos implicados na história e o estado de negação generalizado em Portugal perante rasuras seletivas nas narrativas de memória. Pelo contrário, a análise da receção não-académica a As doenças do Brasil reflete o acolhimento a uma narrativa que nem compromete o silêncio coletivo face aquelas rasuras seletivas nem o facto de as narrativas de memória colonial estarem assentes em percursos honrados de heróis masculinos.
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