A linguagem das flores
Considerações sobre o filme Virgem Margarida, de Licínio Azevedo
DOI:
https://doi.org/10.21471/jls.v8i1.533Keywords:
campos de reeducação, desmonumentalização, FRELIMO, Moçambique, Licínio AzevedoAbstract
Esse texto pretende tecer alguns comentários sobre o filme Virgem Margarida (2012), do diretor Licínio Azevedo. O objetivo é mostrar que, ao recuperar a história das mulheres enviadas para os campos de reeducação e de alguns símbolos da revolução, Licínio Azevedo faz de seu filme um aparato de corte e de crítica: ele corta o corpo/conceito de nação que se deseja único, estabelecendo e identificando as contradições do movimento de pós-independência de Moçambique. Por um lado, havia a ideologia do projeto nacional socialista (FRELIMO) que libertava o povo da colonização, mas que, por outro, instituía campos de reeducação para “libertar” a mente colonizada. Assim, pretendo mostrar, seguindo considerações de Georges Didi-Huberman, que, para estabelecer esse corte, essa crítica, há uma espécie de desmonumentalização dos símbolos e um movimento de cores e superfícies.